quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

(REVIRA)VOLTAS


Porque reaprender a ser só é jogo duro. E contra si mesmo.


(Uma mínima homenagem àqueles que tiveram a máxima paciência. Obrigada pelas conversas, muitas vezes transoceânicas. Ou no cordão da calçada de alguma rua, regada à noite e álcool. E pelos abraços, todos eles. Estar só não é tão verdade assim, uma vez que tenho aqueles que chamo de amigos.)

domingo, 5 de dezembro de 2010

A MINHA CAIXA DE PANDORA PARTICULAR


A lua está cheia. Meu peito está cheio de ti. Mas não o ar que eu respiro. Sequer o teu cheiro. Nem nas pequenas coisas tuas que eu guardo. Aqui está o gráfico de alturas e pesos, que usaste para rir de mim. Tua escrita, tua letra pedindo para que eu voltasse para contar meus piores dias. A folha já se borra com as lágrimas incontroláveis. O ingresso da peça que assistimos juntas. Teu grampo, do qual eu me apropriei. Todos aqui, guardados carinhosamente. A flauta é sempre uma lembrança. Os livros que me deste. O livro que me emprestou. Tuas fotos. Tu sempre tão bela.

Às vezes, o que eu mais quero é esquecer por completo de ti. Estripar-te da minha vida. Mas, toda vez que eu tento, só corto a mim mesma. 

CONCLUSÕES SOBRE A PAIXÃO - QUALQUER PARTE

Nossos melhores beijos foram de um amor desesperado, um amor espinhoso.

domingo, 21 de novembro de 2010

EU CHOREI POR KARENIN


A dificuldade das palavras.
A pronúncia das palavras vai além de cada fonema. É como se o som requisitasse mais do que apenas cordas vocais aptas. É mecânico falar das banalidades, ditar as sentenças, recitar os poemas alheios. Já as frases concatenadas nas profundezas dos abismos do ser e do dever ser travam nas gargantas desconhecidas, nos soluços que vêm da alma.
Quero dizer e não consigo, como se o vocabulário não me bastasse e nenhuma sintaxe fosse suficiente. Vivo do silêncio e do retweet, furtando os textos alheios, chorando minhas lágrimas por Karenin - que era só um cachorro. Não há como chorar por Tereza, Tomas, Franz ou Sabina; resta-nos as lágrimas pelo cão. Eu que lhe havia dado Stendhal sem mesmo saber que já o conhecia como um autor noturno.

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

REENCONTRO

Te revi.
Tu estavas linda.
Teu abraço e teu beijo pareciam como de um sonho...

Daí acordei.

terça-feira, 19 de outubro de 2010

TUDO, ATÉ MESMO OS SEGREDOS


Aqui, neste quarto, está guardado tudo que é meu.

Aqui estão minhas altas montanhas, pináculos de rocha e gelo, buscando alcançar o céu. Também há meus mares revoltos e minhas praias banhadas de luar. Ora está a exuberância da fauna e flora das florestas, ora a aridez de meus desertos, dos meus cactos, de minha escassez. Sob as águas calmas, escondem-se fossas abissais, como aquela bagunça que se põem longe da vista e da repreensão das mães. Suas profundezas carregam aqueles que sobreviveram ao mais inóspito e transformaram-se em monstro. Todavia, não foque apenas aí. Chegue mais perto e olhe a abóboda com minhas estrelas radiantes que se movem apenas com o passar dos séculos. Voam meus pássaros, na migração das andorinhas ou no orgulho das águias. Ali estão minhas feras: felinos em sua beleza, lobos altivos, raposas astutas. Ali, reina a calma dos herbívoros e a inquietação dos esquilos.

Se me quer por inteira, apresento-te minha planície e suas suaves ondulações cobertas de flores-do-campo. Mas, cuidado. Em meio ao perfume, pode estar a serpente. Entretanto, até mesmo ausência dela faria a paisagem órfã.