segunda-feira, 16 de agosto de 2010

POESIA RUIM - TERCEIRO

O TEMPO SOBRE NOSSAS FACES

A urgência do meu beijo
já te informa
desses amores de bomba-relógio.
Entre todas, escolhemo-nos
e a vida, numa rápida passagem,
uniu duas trilhas
em uma única senda.
Todavia,
o que fazer se
eu quero conhecer as montanhas
e tu deseja permanecer na planície?
Só me contento
com os grandes abismos,
os lagos em altas latitudes
e as florestas impenetráveis.
Tu caminha pelos campos
e se limita aos regatos.
Então, beijo-te
com a insistência de uma paixão que se vai,
enquanto somos só nós duas
e o mundo não tem importância.
A ilha de mágica a dois
é bruma
presente, porém intocável.
A paixão é venda de minhas inquietações.
Teu beijo, ambrosia
de uma vida mais eterna.
A utopia de uma felicidade
que se afasta e aproxima-se
como um pêndulo
de um tempo que escorre
sobre nossas faces.

sábado, 10 de julho de 2010

POESIA RUIM - SEGUNDO

TEUS

Aos teus beijos,
superação do cotidiano,
dou todos os meus segredos
nessa necessidade do escondido
tabu
e proibido.
E quando dá aquela vontade
é o grito calado
que transformo em suspiro
e conforto
nos teus braços.

POESIA RUIM - PRIMEIRO

A POESIA

A poesia
como uma fuga
do inferno juridicionalizante:
a doutrina que criou o próprio mundo
e transformou o mundo que a tinha criado.
Só que, às vezes,
como um suspiro,
escapa a realidade do seu carrasco.
E o riso não-legalizado
interrompe
a fala dos eminentes doutores.
O vento que consome a toga em pó
também cheira à liberdade.


Não é só delírio na madrugada, mas acredito que também carrega um pouco de arte. E esses poemas, escritos a algum tempo, em rascunhos e folhas soltas, levam a marca de cada particular segundo da existência. Então, por fim, tomei essa coragem de publicá-los, em meio a miscelânea do qual esse blog é tomado. 

Fiquem à vontade.

domingo, 20 de junho de 2010

UMA OUTRA QUADRILHA

Parodiando (e engayzando) Drummond...


Uma Outra Quadrilha
João amava Renato que amava Raimundo
que amava Michele que amava Joaquim que amava Thiago
que vivia no armário.
João foi para a Holanda, Renato para o manicômio,
Raimundo foi morto por skinheads, Michele ficou para travesti,
Joaquim suicidou-se e Thiago se juntou a J. Pinto Fernandes
esperando um dia poder casar.



Esse é dos meus momentos de quase-poetisa. E pra quem quer conhecer ou reler o original do poema subvertido, clique aqui.

P.S.: Tenho mais algumas poesias um pouco mais próprias. Publicá-las-ei, algum dia que perder a auto-vergonha.

quarta-feira, 9 de junho de 2010

EXAGERADO

De Cazuza, só carrego as mentiras e as mancadas, já que as rosas não posso mais roubar. Entretanto, de todo o exagero que eu tenho, às vezes parece que a realidade não dá conta. As minhas introspecções, ironias e mal-humores, nada veio parar aqui nesse um mês e meio. Mas ao mesmo tempo, o blog sempre esteve na minha cabeça, nas folhas soltas e nos poemas secretos. Escrevo de novo, galere. Prometo (de promessas vazias) reeditar, reescrever, digitar, publicar tudo que é mais meu. E que, talvez, também diga alguma coisa a alguém.
E muitas coisas ocorreram. Não é que fiquei só presa à literatura e contemplação:
  • Fui arrastada por um ônibus. Aquele "renomado" serviço de transporte público me levando pelo asfalto em plena avenida no centro administrativo/judiciário da capital. Levei um susto. Tá, admito, um enorme susto. Praticamente não me machuquei e vou processar a empresa (uêba - meu curso finalmente útil!). E desenvolvi uma maneira particular de sair de qualquer coletivo:  atiro-me. P.S.: Mote novo: Suicida, sim; arrastada, jamais.
  • A faculdade me estressou. Ponto. O Mestre Penalista do post anterior continuou fazendo seu estrago. A ele se somou a Juíza-Que-Não-Conjuga-Plurais, a Professora-Código-Civil e o Grande-Navegador. Nárnia seria mais diversificada e mais divertida e eu sempre poderia conhecer uma princesa-gats. É como se o direito pudesse ser mais irreal do que Nárnia. Pena que direito garante (teoricamente) algum salário. Nárnia só tem um leão grande.
  • Meu estágio me obriga a condenar pessoas tolas por crimes idiotas. Não vou discutir moralismos. Só sei que me irrita demais mandar alguém passar uma temporada no presídio central por ter tentado furtar uma tesoura de cortar grama da sacristia de uma igreja. Quase tenho vontade de gritar pra essas pessoas aprenderem a cometer delitos decentes, já que elas vão ser presas - de qualquer forma - durante muito tempo naquele inferno de concreto e violência.
  • Ganhei e comi uma caixa de alfajores. E aprendi a fugir de estrangulamentos na minha aula de defesa pessoal israelense. Li livros, fiz um twitter (obrigaram-me, educadamente), dormi pouco, bebi muito, sai pra buachty, dancei com as bees, ouvi músicas, descobri recantos, escondi-me, fugi, procurei e vivi um pouco. Aquela menina talvez única (do outro post) virou minha namorada. Amor, vou fazer um post para a gente tá um dia desses.
  • E para finalizar meus pequenos atos, remodelei o blog. Novo fundo. Sempre gostei no mal sentido da história de Adão e Eva e agora ela está praticamente um arco-íris. E por pressão da namo, troquei a foto.
É isso aí. Feliz retorno a mim mesma. (E a foto é das minhas pseudo-tentativas de fotografia. Pra ti, querida, a foto-em-rosa, já que roubo é crime.)

terça-feira, 20 de abril de 2010

DIÁLOGOS ESCRITOS - I


 
Um diálogo durante uma maldita aula de direito penal, com contribuições by Menina-Ruiva*. Logo de cara, nota-se a inclinação do meu 'querido-professor' pelos crimes sexuais (tá, isso foi eufemismo pra tarado).

Eu: Hey, gats! Fascinante essa aula, não? Eu achei a história que ele contou agora brilhante ("suspirinhos"). Reações instintivas que levam a estupros são tão nããão-puníveis! 
Menina-Ruiva: Acho que estupro é SEMPRE justificável - nem deveria ser um tipo penal. Tô lendo que a Austrália reconheceu uma pessoa como sem sexo pela primeira vez, ê!! Mas não sei o que acontece se estupram ele/a. Vou perguntar pro Mestre! 
Eu: Pergunte o que acontece no caso de toque não-autorizado das genitálias(?) dele/a. E eu concordo contigo em relação ao estupro. Afinal, os homens devem mostrar pras elas o que as mulheres devem gostar. Isso que é educação para o bem da sociedade. Justifica tudo, o mestre que o diga. 
Menina-Ruiva: Acho que alienígenas podem estuprar também. (Senão seria discriminação contra eles.)

* Pseudônimo de uma colega minha simpática. Ela tem uma fina ironia que muito admiro, além de adorar militar sobre alguma boa causa e se vestir com muita dignidade.